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Muito se comenta hoje em dia sobre o atraso que
diversos modelos nacionais têm em relação aos seus pares no exterior. É
uma meia verdade. Se repararmos bem, há categorias que são prestigiadas
com investimentos enquanto outras carecem de atenção das montadoras. É
uma pena, afinal o consumidor acaba tendo de decidir entre comprar um
tipo de carro que lhe agrada e conviver com sua idade avançada ou ir
contra suas convicções e adquirir um modelo que não é a sua cara, mas
esbanja modernidade. Dura tarefa essa.
Para colocar um pouco de luz nessa situação, decidimos analisar os
segmentos nacionais e identificar quais são os mais e menos atualizados.
Note que a definição das categorias obedeceu a um critério próprio da
redação e não exatamente o que algumas montadoras consideram. Veja em
que posição está o seu veículo em relação ao nosso ranking.
1º - Sedãs médios
Astra Sedan, Vectra, Marea, Focus Sedan, Civic,
Mégane Sedan, Sentra, Corolla, Santana e Bora
Ah, felizes são os fãs dos sedãs médios. A categoria é um oásis,
literalmente. Tudo bem que há modelos com vendas inexpressivas – Marea,
Mégane, Sentra e Bora – mas, assim mesmo, é onde existem mais novidades,
muitas delas prestes a chegar em 2006. Estamos falando do Mégane Sedan
II, Civic, Jetta e, provavelmente, o novo Sentra. Todos querendo tirar
espaço do líder Corolla e do novo Vectra. Coincidência ou não, é uma das
categorias em que a presença japonesa é mais notada. E vale dizer que
eles são os responsáveis pela atualidade do setor, afinal seus modelos
chegam aqui poucos meses depois de serem lançados no mundo. Deveria ser
um exemplo para os outros.
2º - Familiares compactas
Meriva, Idea, Palio Weekend, Fit, 206 SW e Parati
Resolvemos unir os modelos com vocação familiar, afinal eles atingem
públicos muito parecidos. Nesse caso, temos três peruas e três minivans
(considerando o Fit como mais próximo dessa classificação). É uma das
categorias mais fortalecidas. As minivans estão em sintonia com os
maiores mercados automobilísticos e duas das peruas têm bom desempenho –
Palio e 206 SW. A “ovelha negra” é a Parati, mais antiga delas e que
perdeu participação com o passar dos tempos. Mas a VW já prepara uma
nova representante no segmento que promete reverter a situação. É a
perua Fox, prometida para o início de 2006.
3º - Hatches compactos (exceto os populares)
Celta, Corsa, C3, Palio, Fiesta Street, Fiesta, Ka,
206, Clio, Fox, Gol e Polo
Aqui a situação é razoável. Além das versões mais fortes dos modelos
mais conhecidos, entram também o C3 e o Polo, considerados compactos
premium (embora pequenos, possuem itens de carros susperiores). É o
reino dos bicombustíveis – quase todos têm essa opção, com exceção do
Celta, Fiesta Street e Ka. O 206 1.4 acabou de ganhar essa versão e o C3
1.4 já pode ser encomendado assim. É uma categoria indefinida, por outro
lado, afinal o futuro destes modelos é um pouco nebuloso. O Clio e o
Polo vendem pouco, enquanto o Corsa tem carreira regular. Praticamente
certa é a chegada de um novo compacto na Ford, para substituir o Ka e
Fiesta Street a partir de 2008.
4º - Picapes médias
S10, Ranger, L200, Frontier e Hilux
Este é um segmento que foi chacoalhado em 2005 com a chegada da nova
Hilux. A picape da Toyota, literalmente, introduziu uma nova era no
setor, com seu conforto de automóvel unido a um motor moderno, potente e
econômico, entre outros atributos. Apesar disso, suas rivais não
mostraram se irão reagir logo. A Chevrolet chegou a pensar em trazer um
modelo derivado da Isuzu, mas parece que a idéia não vingou. A Frontier
e a L200 já ganharam nova roupagem no exterior e a Ranger deverá mudar
em breve. Pelo jeito, a Hilux continuará um bom tempo como a referência
em picape média.
5º - Utilitários esportivos
Blazer, EcoSport, Pajero TR4, XTerra e Hilux SW4
Com pouca demanda, é uma categoria em que os importados acabam
influenciando muito. O EcoSport reina sozinho entre os compactos e isso
deve se prolongar muito pois suas concorrentes até agora não conseguiram
viabilizar um concorrente para o modelo da Ford. Blazer e XTerra têm
vendas modestas, enquanto o TR4 e o SW4 vão bem se levarmos em conta
seus preços. Como são caros, inviabilizam sua produção no Brasil, a não
ser que se reduza muito o número de equipamentos – algo não aconselhável
perante os consumidores.
6º - Familiares médios
Zafira, Picasso, Marea Weekend, Scénic e Corolla
Fielder
O segmento já foi melhor, há de se convir. Quando o Scénic chegou e fez
sucesso, no final da década de 90, outras montadoras se movimentaram
para brigar com a minivan da Renault. Surgiram o Zafira e o Picasso, mas
agora apenas este último tem o mesmo visual do europeu – por enquanto já
que o novo Citroën deve ser apresentado em 2006 por lá. Entre as peruas,
a Marea existe por insistência da Fiat e a Fielder vende um número
razoável por mês. Novidades aqui vão demorar.
7º - Sedãs compactos
Classic, Corsa Sedan, Siena, Fiesta Sedan, Clio
Sedan e Polo Sedan
Curiosamente, este é o segmento com maior número de soluções caseiras.
Isso porque todos praticamente nasceram aqui, ou seja, a versão sedã é
uma adaptação para o nosso mercado. Novidades a curto prazo apenas a
chegada do Celta Sedan no final de 2006, não se sabe ainda se
substituindo o Classic. Há comentários que o Polo pode receber a
reestilização européia. Enquanto isso, o Fiesta Sedan segue como o mais
atual do setor.
8º - Picapes compactas
Montana, Courier, Strada e Parati
Bem restrito, o grupo de picapes derivadas de compactos de passeio deve
ficar assim por um bom tempo. Outra categoria “nacional”, elas dependem
de mudanças no veículo base, leia-se hatch, para ganhar alterações. A
última a chegar, a Montana, tem bom volume de vendas, mas perde de longe
para a Strada, recém reestilizada. Como elas estão no seu auge, somente
serão substituídas num futuro distante. As outras coadjuvantes também
não tem muito o que falar. A Saveiro herdou as mudanças do Gol G4, mas
continua com o peso da idade contra. Já a Courier segue indefinida,
enquanto a Ford decide qual plataforma – Fiesta, EcoSport ou o novo
compacto – servirá de base para a nova picape.
9º - Populares
Celta, Classic, Corsa hatch e sedan, Mille, Palio,
Siena, Fiesta Street, Fiesta Hatch e Sedan, Ka, 206, Clio hatch e Sedan,
Fox e Gol
Ainda a categoria com maior participação no mercado, os populares têm
perdido participação mês a mês graças à mudança da alíquota do IPI. Em
muitos casos ficou mais vantajoso comprar um modelo com motor 1.4 tanto
assim que a Peugeot desistiu de oferecer o 206 no ano que vem com
motorização 1.0 litro. Segundo a Fiat, as vendas do Palio 1.4 também
superam as da versão popular. Mesmo com tanta importância, esses modelos
andam desatualizados. Apenas Fiesta e Fox estão equiparados aos europeus
– este último porque é feito no Brasil mesmo. Antes que alguém pense que
esquecemos do Corsa e do 206, é bom avisar que as novas gerações estão
prestes a ser lançadas no exterior. Os mais antigos, no entanto, são o
Mille e o Gol que, apesar das reestilizações, mantêm a base da década de
80. Mudanças à vista, apenas o Celta, que ganha 2ª geração e versão sedã
em 2006 e a família Palio, cujo sucessor deve aparecer em 2007.
10º - Hatches médios
Astra, Focus, Stilo, 307, Golf
Quem gosta de hatch médio tem do que reclamar. Se os sedãs são os
modelos com maior volume de investimento, os “dois volumes” amargam o
esquecimento da indústria. O modelo mais atual é o Stilo, seguido do
“argentino” 307, cujo visual ainda não recebeu as mudanças do francês. O
Focus está desatualizado em relação à geração européia, porém, é o mesmo
carro vendido nos Estados Unidos. Os outros “velhinhos”, o Astra e o
Golf, estão em situações opostas: enquanto o primeiro é líder, o segundo
despenca no ranking. O pior de tudo é que não há perspectiva de
novidades na categoria. A Chevrolet decidiu usar a base do Astra europeu
no novo Vectra, e a Ford e a VW já deram a entender que os novos Focus e
Golf não virão para o país. Nem as francesas andam animadas com esse
mercado. A Renault deixou de vender o Mégane hatch há tempos e até agora
não disse se o Mégane II terá algo mais que a versão sedã. Já a Citroën
chegou a cogitar o C4 importadoda Europa, depois via Argentina, mas
parece que a coisa esfriou. |